Os Bastidores de Entre Mundos — Como uma saga nasceu de um silêncio
Há histórias que chegam aos gritos, exigindo ser escritas de imediato. Entre Mundos não foi uma delas. Chegou devagar, em silêncio — quase como se tivesse medo de ser ouvida antes de estar pronta.
Lembro-me do momento exato: uma noite comum, sem nada de especial, em que uma única imagem me visitou — uma jovem parada à porta de uma casa que já não reconhecia, sentindo que algo dentro dela tinha mudado para sempre, sem saber explicar o quê. Essa jovem era Gabrielle. E essa porta era apenas o início.
"Algumas histórias não pedem para ser escritas. Elas esperam, pacientes, até que estejamos prontos para as ouvir."
Durante meses, essa cena viveu apenas num caderno, ao lado de outras anotações soltas: frases ouvidas ao acaso, nomes que pareciam pertencer a alguém que ainda não existia, mapas rabiscados de cidades que misturavam o real e o imaginado. Foi só quando comecei a perguntar "e se?" que tudo começou a fazer sentido — e se existisse uma fenda entre dois mundos? E se alguém estivesse destinado a atravessá-la sem saber? E se o amor, o medo e o dever colidissem exatamente no momento errado?
Foi dessas perguntas, escritas e reescritas em margens de cadernos e nas notas do telemóvel à 1h da manhã, que nasceu a espinha dorsal da saga. Gabrielle deixou de ser uma imagem solta e tornou-se uma pessoa inteira — com medos, teimosias, silêncios e uma coragem que ela própria ainda não sabia que tinha.
Escrever Entre Mundos: O Chamado foi, acima de tudo, um exercício de confiança: confiar que uma ideia pequena, guardada com cuidado, pode crescer até se tornar um mundo inteiro. Espero que, ao virar a última página, sintam o mesmo chamado que eu senti naquela noite silenciosa — e que decidam, como eu decidi, atravessar a fenda.
Obrigada por estarem aqui, no início desta jornada. Há ainda muito para contar.